Quando ter dinheiro não basta para estar segura
Há mulheres que trabalham, ganham bem e ainda assim permanecem presas a relações violentas. Porque o dinheiro existe, mas não está sob seu domínio. Porque o patrimônio foi construído, mas não é compartilhado.
Escrevo por aqui já faz alguns anos. Tem dia que falta assunto, tem dia que sobra e tem dia que os assuntos se repetem. Parece até que “copia e cola” de algum texto antigo. Hoje é um desses dias. Mas garanto, não é uma cópia preguiçosa de uma coluna lá de trás. É um tema que, infelizmente, figura ainda por aqui.
Em 2020, escrevi nesta coluna que ter dinheiro não era sinônimo de autonomia financeira. À época, a provocação era sobre a diferença entre renda e poder real de decisão. Ter bagagem para poder decidir sem ter de terceirizar. Passados alguns anos, é desconfortável constatar que o texto segue atual. Mas arrisco atualizá-lo para um novo contexto. Uma triste realidade.
Segundo levantamento divulgado pelo G1 na última semana, com base em dados oficiais consolidados das secretarias estaduais de segurança pública, o Brasil registrou recorde histórico de feminicídios em 2025. Foram cerca de 1.470 mulheres assassinadas por razões de gênero ao longo do ano passado, o equivalente a quatro mulheres mortas por dia no país.