É preciso bem mais do que dinheiro para sair de uma relação abusiva
Dependência financeira não é só ausência de renda. É não ter acesso aos próprios recursos, é não ter controle sobre o próprio dinheiro, não ter reserva, não ter para onde ir.
Qualquer pessoa que não viva dentro de uma ostra está acompanhando os crimes que têm acometido nossa sociedade. Nos últimos dias, basta abrir um site de notícias, ligar a TV ou folhear o jornal para encontrar estampado mais um caso de violência contra uma mulher.
Os últimos feminicídios que voltaram a ocupar o noticiário não são um desvio da curva. São a própria curva. Um retrato persistente de uma violência que atravessa o tempo, classes sociais, regiões e níveis de escolaridade — e que continua encontrando, no silêncio doméstico, terreno fértil para existir.
Toda vez que um novo crime vem à tona, reaparecem as perguntas conhecidas: por que ela não saiu antes da relação? por que permaneceu mesmo vendo os sinais? por que não denunciou? Mas quase nunca se faz a pergunta: quais são, de fato, os recursos necessários para que elas consigam sair e não voltar mais para esse lugar?