Uma prosa de Carnaval
A festa ensina que o espetáculo que emociona é resultado de organização invisível. Nada é improviso. O espetáculo é planejado. Coisa que a vida financeira de muita gente não é.
É Carnaval. A festa mais épica do povo brasileiro. Se ele não nasceu aqui, aqui foi aprimorado. É no Carnaval que a cultura se mistura, que o povo se diverte, se derrete. É no frevo, é no axé, é no samba, é no tudo junto. É brilho, é rua, é suor, é fantasia. Ele é tão especial que, no Brasil, o ano só começa depois que ele acaba. É na sua ressaca que a realidade chega e os planos começam a tomar ares de realidade. É só depois da quarta que o resto vem primeiro.
Enquanto o Brasil canta, os planos financeiros descansam. Ficam ali, só observando o bloco, a escola passar. Carnaval é excesso permitido. É o “agora”. É o “eu mereço”. É o “a gente vê depois”. E é nesse depois que o agora vem com data marcada: chega junto com a fatura para pagar, com o limite apertado, com o orçamento que jaz.