Apressado paga caro
É curioso perceber que, em um mundo obcecado por velocidade, talvez uma das habilidades financeiras mais importantes seja justamente saber esperar.
Aquele velho ditado de que “apressado come cru” todo mundo já deve ter ouvido falar ou até mesmo ter padecido do seu significado. Em um mundo cada vez mais acelerado, dos vídeos em velocidade 2x, dos textos de cento e vinte caracteres e da leitura apenas de títulos e legendas sucintas, paciência será uma palavra que, logo mais, cairá em desuso completo. Como tudo é pressa, o contexto vai se simplificando e intensificou o que já tínhamos em nossa essência: a necessidade da recompensa instantânea.
Nunca foi tão fácil satisfazer um desejo. Seja qual for. Se bateu vontade de comer, tem um aplicativo que resolve. Se uma propaganda interessante interrompe a leitura ou o rolar do feed, bastam alguns cliques para que a compra esteja concluída e entregue — com sorte e uma pequena taxa — no mesmo dia. O dinheiro nunca esteve tão próximo do consumo, e isso fez com que a nossa capacidade de comprar passasse a ser quase tão rápida quanto nossa capacidade de desejar. O problema é que o cérebro não evoluiu na mesma velocidade da tecnologia, a despeito da perfeição da máquina humana.